domingo, 11 de dezembro de 2016

Jornada do Louco

Completei a JORNADA DO LOUCO!!!







Nossa, não foi nada fácil passar por esse processo, mas como valeu a pena!
Foram 22 Semanas vivenciando cada um dos arcanos maiores e enxergando-os em mim e no que acontecia em minha volta durante a Jornada. Eu era um Louco quando comecei essa caminhada, cheio de ânimo, curiosidade e esperança pelo que vinha pela frente... Durante esse tempo aprendi sobre os ciclos da Roda e vi coisas sem base em meu caminho se desmoronarem como uma Torre atingida por um raio, mas também aprendi a ter Temperança, equilibrar as coisas, a tomar as rédeas do Carro da minha vida e fazer dela o que eu quero, com o poder do Mago que que sou. Ouvi conselhos de sábios Sacerdotes e Sacerdotisas e aprendi com Imperadores e Imperatrizes que minha rebeldia e liberdade tem que ter um certo limite sim e que talvez nem todas as regras foram feitas para serem quebradas. Aprendi a deixar a Morte levar aquilo que nao me servia mais, mesmo que tal transição fosse dolorida, e em certos momentos precisei me recolher como um Eremita pra compreender melhor o que estava acontecendo e às vezes como Odin ficou Pendurado em uma árvore tive que me sacrificar pra conseguir isso. Aprendi a ter uma Força não bruta, mas delicada que me permitiu domar o meu leão interior, que como um Diabo, um tentador, me colocava à prova, me confrontava de um jeito sem o qual eu não poderia me libertar de prisões nas quais eu mesmo havia me colocado. Eu tive novamente esperança, ao ver uma Estrela brilhar no meio de toda aquela escuridão que eu havia pintado. O brilho da Lua depois me ofuscou e eu acreditei em certas ilusões que minha mente criava, mas uma hora veio a luz do Sol e iluminou completamente o meu caminho, me permitindo ver melhor os caminhos que eu tinha para trilhar, e como um Apaixonado em dúvida sobre quem realmente ama, eu tomei as decisões que me pareceram corretas no momento, pois eu nao podia mais ficar estagnado, tinha que escolher logo. Segui meu caminho com Justiça, respeitando a ordem de certas coisas e flexibilizando aquelas menos rígidas. Fui provado finalmente, passando por um Julgamento, uma iniciação que me fez despertar para tudo aquilo que eu tinha vivenciado nesse período. Finalmente tornei um ser mais pleno, completo, tomando o controle sobre o meu próprio Mundo. E sabe o que eu me tornei depois de toda essa Jornada? Um Louco, cheio de ânimo, curiosidade e esperança pelo que vem pela frente...
(Rayo Dhevakot Morningstar, 11 de Dezembro de 2016)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Magia De Tessitura: Fazendo das Agulhas e Linhas Instrumentos Mágicos


(Primeiramente, vou ficar devendo imagens, mas no meu instagram tem algumas de um bordado que fiz!)
Bom, fui pesquisar sobre o assunto e nao encontrei nada em português então decidi eu mesmo fazer uma postagem sobre o assunto. Apesar de ser algo que estou começando a praticar agora, o conceito na verdade é bem fácil (eu diria óbvio até) e eu vou dar umas diquinhas básicas aqui:
Como usar Costura, Tear, Bordado e coisas assim para fazer magia? Ora, da mesma forma que se faz a maioria das magias: Através de correspondências! Você vai usar linhas nas cores que representam o que você quer atrair, vai bordar runas e símbolos que estão ligados ao seu propósito/desejo, pode inserir contas e pingentes com essas cores e símbolos também, enfim.
Por isso falei que acho óbvio! Embora eu nao tenha achado textos sobre o assunto em algum blog por aí, quando eu ouvi falar de Magia de Tessitura, foi isso que veio na minha mente!
-Você pode bordar um desenho "normal" que represente seu desejo, no lugar de símbolo mágicos mais claros, e/ou pode também inserir esses símbolos de forma mais disfarçada no desenho.
-você pode usar símbolos comuns(coração, estrela, cifrão, etç)
-Você pode usar Runas(se costuma trabalhar com elas)
-Você pode criar mandalas mesclando isso tudo e pode inclusive bordar seu nome no meio (ou algo que represente você) e depois vir bordando de fora pra dentro determinando que atrai essas coisas em sua direção.
-Você pode criar um mantra ou cântico ou frase de poder relacionado ao seu feitiço e repeti-lo enquanto faz sua arte.
-você pode usar linhas nas cores correspondentes e fazer vários cachecóis, pulseiras, coisas assim, com vários propósitos diferentes para presentear pessoas queridas
-você pode consagrar suas agulhas como instrumentos mágicos
-você pode embebedar uma linha em uma poção feita com ervas ligadas ao seu desejo e depois coloca-la pra secar antes de usar.
Enfim, como falei iam ser só umas diquinhas mesmo, espero que gostem! Quem já faz ou vai começar a fazer e quiser trocar figurinhas é só chegar! ;)
Beijos e Bênçãos! :*

sábado, 26 de novembro de 2016

Rosário de Chacras

Olá pessoas! No texto de hoje eu vou ensinar como eu fiz e como uso meu Rosário de Chacras (Não consegui postar a foto aqui no blog pelo celular, mas se vcs olharem no meu instagram tem foto dele lá).Primeiramente deixe-me falar que a inspiração para esse segundo modelo (antes eu tinha feito um pouco diferente) veio de uma meditação de equilíbrio dos chacras gravada pelo pessoal da Tradição Caminhos das Sombras que eu já usei varias vezes e que você pode baixar aqui!
Bom, eu gosto de meditações guiadas, mas sou também apaixonade por rosários e japamalas e queria muito fazer um pra meditar com/equilibrar os chacras e usei o mesmo método/ordem da meditação.
Ah, você não sabe o que são chacras? Ok, não sou nenhum profissional no assunto mas vou tentar te explicar com as minhas palavras: São centros de energia que nós temos no corpo. Existem outros chacras, como nas nossas mãos por exemplo, mas essa meditação vai se ater aos sete principais, que são:
1-Chacra Básico, que fica na base da nossa espinha, no cóquix e vamos representar pela cor vermelha;
2-Chacra Sexual, que fica três dedos abaixo do nosso umbigo e vamos representar pela cor laranja;
3-Chacra do Plexo Solar, que fica na boca do nosso estômago e vamos representar pela cor amarela;
4-Chacra Cardíaco, que fica no meio do nosso peitoral e vamos representar pela vir verde;
5-Chacra Laríngeo, que fica na garganta e vamos representar pela cor azul;
6-Chacra do Terceiro Olho, que fica na testa, no meio e acima dos olhos e vamos representar pela cor violeta/lilás/roxa;
7-Chacra Coronário, que fica no topo da nossa cabeça e vamos representar aqui pela cor "transparente"
Bom, vou me ater a essa explicação básica da localização e cor correspondente e vou deixar pra vocês pesquisarem sobre o assunto e entenderem melhor a que áreas da nossa vida cada um deles está ligado! Ok?
Então vamos à montagem do rosário. Você vai precisar de:
-Uma linha resistente e de preferência própria para bijuterias(você pode usar nylon ou silicone por exemplo, mas eu particularmente prefiro e recomendo laxtex)
-seis contas/miçangas vermelhas
-seis contas/miçangas laranjas
-seis contas/miçangas amarelas
-seis contas/miçangas verdes
-seis contas/miçangas azuis
-seis contas/miçangas violetas/lilás/roxas
-seis contas/miçangas transparentes
-treze contas de uma cor diferente das usadas, como preta ou branca e mais uma conta maior que todas nessa mesma cor
-um pingente daqueles de japamala ou em forma de flor ou algo que te lembre os chacras.
Monte o rosário na seguinte ordem: 3 contas vermelhas, 1 conta preta ou branca, 3 contas laranjas, 1 conta preta ou branca, 3 contas amarelas, 1 conta preta ou branca, 3 contas verdes, 1 conta preta ou branca, 3 contas azuis, 1 conta preta ou branca, 3 contas violetas, 1 conta preta ou branca, 3 contas transparentes, 1 conta preta ou branca, 3 contas transparentes, 1 conta preta ou branca, 3 contas violetas, 1 conta preta ou branca, 3 contas azuis, 1 conta preta ou branca, 3 contas verdes, 1 conta preta ou branca, 3 contas amarelas, 1 conta preta ou branca, 3 contas laranjas, 1 conta preta ou branca, e 3 contas vermelhas. Por fim passe a linha das duas pontas pela conta maior e amarre o pingente.
E como usar?
Você vai segurar na primeira conta vermelha enquanto sente a intensidade do seu primeiro chacra, segurando na segunda conta vermelha você vai sentir a amplitude desse chacra, e no terceiro sentir a rotação e a velocidade da rotação. Na primeira conta preta/branca você vai sentir a energia do chacra. Vai repetindo isso com todos os chacras até chegar na conta preta/branca que sucede as primeiras três contas transparentes. A partir daí a gente vai fazer o caminho inverso(do chacra coronário descendo até o chacra base), equilibrando os chacras que sentimos até então: Na primeira conta transparente você vai equilibrar a intensidade do chacra coronário, na segunda equilibrar a amplitude e na terceira equilibrar a rotação e a velocidade da rotação. Na conta preta ou branca seguinte você vai sentir a energia desse chacra, agora equilibrado por você(perceba a diferença). Continue fazendo o mesmo com cada chacra até retornar ao chacra base. Por fim, na conta maior, sinta a energia fluindo por todos os seus chacras, subindo e descendo em equilíbrio.
Bom, espero que vocês tenham gostado da postagem de hoje e que essa idéia vos seja útil em vossas práticas!
Beijos e Bençãos! :*

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Porque a Bruxaria?

Porque ainda lembro de quando era criança e acreditava em fadas, brincava que era mago e conversava com a Lua, a quem carinhosamente chamava de Dinda Lua.
Porque ainda me lembro de como fiquei encantado ao descobrir, aos meus 10 anos, que a Magia tão presente nas minhas brincadeiras era real e que a Bruxaria que tanto me encantava em filmes existia e era uma religião praticada por várias pessoas.
Porque eu cresci achando fantásticos os deuses de civilizações antigas que via nos livros de História, e não entendia porque hoje em dia "a gente" só acreditava em um e a descoberta de que eles ainda eram adorados me trouxe paz.
Porque seguir esse caminho nao foi fácil pra mim e eu tive várias crises que me fizeram ir e voltar varias vezes.
E numa dessas crises eu fui pra uma outra religião que me ensinou que eu não podia ser afeminado, passar lápis nos olhos e amar meninos. Uma religião que criou um ideal de quem eu deveria ser, e esse ideal mesmo sendo seguido por mim com verdade, dedicação e sinceridade, era um ideal irreal e um belo dia eu caí em mim, e essa foi a melhor queda que eu tive na vida... E ainda me lembro que quando saí dessa religião eu me reencontrei na Bruxaria, vi Ísis na Lua em meu primeiro esbath e aprendi uma frase, que em contraposição à "Deus odeia gays"/"Deus abomina homossexuais" que tanto me machucavam, foi uma frase que bateu na alma como um bálsamo: "A Deusa Ama a Diversidade".
Porque mesmo depois disso eu me perdi em mim mesmo outras vezes e me afastei outras vezes também, e a Deusa me chamou outras vezes, em Cachoeiras, em passeios na mata que me fizeram chorar, em Borboletas que me acompanhavam, em ventos que me bagunçavam o cabelo e sussurravam segredos no ouvido... E como eu poderia fugir desse chamado?
Porque o místico, o esotérico, sempre me encantou, desde que eu era criança e via anúncios de leituras de búzios e cartas em jornais e lia simpatias e textos sobre anjos em revistas de signos. E quando eu comecei a trazer oráculos e magias para meu dia a dia eu me sentia novamente aquela criança encantada pelos mistérios da vida.
Porque a cada nov@ Deus@ que conheci eu ganhei um@ nov@ amig@, aprendi uma nova lição, trabalhei um aspecto diferente meu.
Porque eu já estudo a Bruxaria, mesmo que nao consecutivamente devido minhas crises, desde os dez anos, e sei que ainda não aprendi quase nada: Cada dia conheço uma nova divindade, um novo sistema mágico, uma nova técnica, e vejo que esse caminho vai ser cheio de novidades por toda a minha vida... E isso é "mágico e encantador" *-*
Porque eu vi diversas vezes a magia funcionar em minha vida e ajudar não só a mim mas a amig@s e amores com curas, prosperidade e amor, isso quando não foi simplesmente aquela sensação de paz e direcionamento e ajuda pra tomar decisões que pude ajudar a trazer com a leitura de um oráculo.
Porque mesmo tendo ido muitas vezes, eu sempre volto e a cada vez que volto estou mais maduro, e não tenho dúvidas de que esse é o Meu Caminho e que tentar fugir desse chamado, por qualquer razão que for, é perda de tempo...
Porque olho pras minhas praticas magicas, oraculares e devocionais, ouço meus cânticos pagãos, olho pros deuses por quem sou apaixonado e, mesmo estando ciente de que tenho muito o que aprender e desenvolver, sei que pelo menos nesse sentido mágico-religioso, que é o maior foco da minha vida, eu posso citar aquele trecho da música Dejavú da Pitty: "Eu tô exatamente onde eu queria estar" 🎶

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Politeísmo e Poliamor 3: Amores Vão Embora, Amores Vem

Esse texto é uma continuação de uma série chamada Politeísmo e Poliamor, no qual faço uma relação entre a forma que me relaciono com @s Deus@s e meus amores.
O primeiro foi sobre o Amor múltiplo em si e o segundo sobre dividir tempo/atenção entre eles. Esse terceiro é sobre Amores e Deus@s que passam em nossas vidas por um período específico e se vão embora quando já vivemos/aprendemos com eles o que já precisávamos.
Pra pessoas que adoram um Panteão fixo desde que começaram seu caminho talvez nao entendam exatamente, mas pessoas ecléticas, principalmente aquelas que celebram diferentes deusxs a cada esbath ou um panteão diferente a cada roda sabem do que estou falando: Tem deusxs que realmente não passam em sua vida pra ficar e se tornar umx de sus deusxs de culto, mas apenas para te ajudar e ensinar alguma lição em determinada situação ou por determinado período.
E em relacionamentos é a mesma coisa! Tem gente que vem pra ficar mais tempo, tem gente que não. Tem gente que só passa na nossa vida pra nos ensinar algo (nem que seja o que NÃO fazer haha). Tem um detalhe importantíssimo na mitologia de Yansã, e eu vou abordar isso melhor em um texto futuro dessa série mesmo, que diz que ela teve muitos amores, mas de cada um ela trouxe algo pra sua vida: Um conhecimento, um poder. E dia desses eu tava aqui pensando nisso: Em tudo que vivi com cada pessoa que amei e o que eu trago comigo de cada experiência dessa.
E com xs deusxs foi a mesma coisa: Tem divindades que eu honrei em esbaths (na época eu celebrava uma deusa diferente a cada lua cheia), que ficaram em minha vida por mais tempo, como Pele, Aset (Ísis) e Yemanjá. Mas tem outras que nosso contato acabou ali naquele rito, como Pachamama, Asherrah e Diana. Tem divindades que foi paixão a primeira vista e desde que conheci não se foram mais de minha vida, como o Deus Azul, Yansã e Obaluaiê, Brighid, Hekate, e tem outras que me ensinaram lições e depois se foram, como Lilith e Inanna e Ereshkigal, deusas com quem trabalhei minhas sombras e minha sexualidade durante repetidas luas negras e me ajudaram muito a ter orgulho de quem eu sou e não esconder isso, mas me posicionar! Entres as divindades que eu acabei nao mantendo culto, e não citei todas aqui assim como não citei todas que permaneceram, algumas eu pretendo me reaproximar hoje.
Já com meus relacionamentos, não. Já vivi o que eu precisava viver com eles e nos que a gente brigou e depois tentamos uma segunda vez nunca deu certo (com exceção de uma menina, cujo retorno foi ainda melhor). Na época eu me criticava por isso achando que era culpa minha que tantos relacionamentos davam errado e tal. Hoje eu sei que elas já desempenharam o papel que precisavam em minha vida. Foi feliz encontro e feliz partida. E com exceção de dois mais antigos, todos os outros são meus amigos até hoje. Tem gente que já me odiou depois de um fim, e hoje a gente compartilha segredos e torce um pelo outro. Porque amar é isso: Querer x outrx bem, com ou sem a gente.

Politeísmo e Poliamor 2: Como Lidar Com Muitos Amores e Deuses


105541701v10_225x225_Front_padToSquare-trueBom, o primeiro texto dessa série foi sobre a ligação que percebi entre o se amar mais de uma Divindade e amar mais de uma pessoa também. Foi uma reflexão e o texto terminava ali, mas conversando com uma irmã do Caminho, com quem tenho um grupo de estudos(e que é monogâmica, só pra comentar) chegamos no assunto de como é arrumar tempo pra dedicar a todos os Deuses que aparecem em nossas vidas e como cultua-los de forma mais ou menos igualitária. E é claro que ao debater tal assunto fiz um novo paralelo com os meus relacionamentos e pronto, uma continuação do texto surgiu daí.

Como comentei naquele texto, estou numa fase parecida tanto na vida amorosa quanto espiritual: Hekate tomou um lugar central em minha vida atualmente, e humanamente falando apareceu o Caio me deixando completamente apaixonado. E sobre lugar no meu coração pra eles e mais amores e Deuses ainda, sem sombras de duvidas que há (aliás já surgiu, pois nessas últimas semanas o Ethan surgiu na minha vida, e embora por enquanto sejamos apenas dois amigos que tem o poliamor e alguns gostos musicais e idéias em comum, eu estaria mentindo se não confessasse que a cada dia mais me encanto com seu jeito e anseio por nossos momentos de conversas, tanto quanto pelo Caio.) E emocionalmente eu lido super bem com isso, sem duvida alguma de meus sentimentos nem por eles e nem por meus amores mais antigos. Nem por Hekate, e nem pelos antigos Deuses que eu já adorava antes.
Agora e na prática? Como dar a mesma atenção e carinho pra todos seus amores evitando assim sentimentos como ciúmes ou sensação de desprezo? E como montar altares para tantos Deuses? Como fazer sua prece a Hekate diariamente acendendo a vela dela e incensos sem fazer o mesmo pra Pele, Yansã e Ísis que já tiveram papeis importantíssimos no meu Caminho? Aliás, Pele entra numa categoria especial junto com Lilith, Inanna, e Kalli... Deusas pra quem eu já fiz rituais, fizeram parte de minha vida por um determinado tempo e a gente simplesmente se afastou... E eu quero hoje recuperar tais contatos... Mas e se eles forem como os amores que ja se foram e não voltam mais? (Por curiosidade, Pele era a "deusa madrinha" de meu casamento, e meu contato com Ela acabou quase que junto com o fim do mesmo). Como se adaptar ao novo sem deixar o que já está na sua vida ha mais tempo? Como conciliar isso pra que seus antigos amores não pensem que você gosta menos deles e seus antigos deuses não pensem que foram usados como "deuses de prateleira" e descartados depois de cumprirem na sua vida o que você precisava aprender com eles? E se realmente a missão deles foi exatamente essa e não se importam que você nao dedique a Eles o mesmo tempo de antes? Afinal ha pessoas que passaram na minha vida e me ensinaram muito e hoje eu sequer falo com elas, o que não quer dizer que eu não as ame...
Bom não escrevi esse texto pra pedir respostas nem tampouco dá-las. Estou apenas compartilhando minhas reflexões, sobre problemas para os quais eu estou buscando soluções com pequenas lições na própria experiência. Mas comentários de pessoas que também passaram por tais momentos e/ou se fizeram taus perguntas(seja no âmbito religioso ou no amoroso) são bem vindos, ok? A gente aprende muito compartilhando experiências! Bênçãos a tod@s! E até a próxima!
OBS: Assim como o texto anterior esse também foi escrito ano passado e os relacionamentos nele citados não correspondem com minha situação atual. aliás nem a fase espiritual que estou hoje é a mesma também.

Politeísmo e Poliamor 1: Sobre Amar Muitas Pessoas E Deus@s

105541701v10_225x225_Front_padToSquare-trueJá percebeu que há uma quantidade legal de bruxas e pagãos que vivem o Poliamor? (e nesse texto não estou usando essa palavra pra definir o modelo de relacionamento que leva esse nome, mas como sinônimo de amar mais de uma pessoa, então to abarcando, ou ao menos é essa minha intenção, outras de formas de relações não-monogâmicas como o RLi)
Longe de ser regra e até mesmo maioria dentro do meio, mas não podemos dizer que não ha uma presença forte de pagãos no Poliamor, desde relações livres e poliamoristas sendo retratadas em livros ficcionais de temática pagã da Starhawk e da Marion Zimmer Bradley por exemplo, até o fato de bruxos famosos serem assumidamente poliamoristas como o  Oberon Zell e o casal de cantores do Gaia Consort. Há até mesmo um símbolo específico para representar pagãos praticantes do poliamor(ou seriam poliamoristas praticantes do paganismo? Haha), e é sobre isso que quero falar, sobre a "conciliação" entre o Poliamor e a Religião que aquele que o vive pratica e a influência que uma coisa pode causar sobre a outra.
Não quero me referir aqui à liberdade que religiões chamadas pagãs e neo-pagãs dão em vários sentidos inclusive no afetivo e sexual. Nesse sentido sem sombra de dúvida que uma pessoa Wiccaniana por exemplo tem muito mais liberdade de vivenciar sua sexualidade seja ela qual for do que uma evangélica, pois diferente dessa, sua religião não tem conceitos como pecado e condenação e enxerga o sexo como algo profundamente sagrado.
Claro que o Monoteísmo Patriarcal com todas as suas regras tem sido um grande instrumento de auxilio a disseminação de conceitos preconceituosos e limitadores acerca da afetividade e sexualidade, condenando tudo aquilo que foge do Casamento Monogâmico Heterossexual.
Claro que não estou aqui dizendo que o Poliamor foi feito para os pagãos e que todos os poliamoristas deviam ser politeístas nem o contrário, Só de exemplo cito meus três relacionamentos atuais*: um homem católico, uma mulher ateia e uma pessoa trans n-b bruxa.
Há poliamoristas das mais diversas crenças, desde o budismo até o candomblé, além daqueles que são ateus e agnósticos. Mas é dos pagãos/politeístas que quero falar.
Mas a ligação entre religião e poliamor da qual quero falar aqui diz respeito ao seguinte: Já percebeu o quanto sua forma de se relacionar com seu(s) deus(es) afeta ou é parecida com sua forma de se relacionar com seu(s) amor(es)?
Porque aí você sai de uma religião cujo deus é ciumento e só aceita culto a ele e mais ninguém, e encontra religiões nas quais você começa a conhecer diferentes deuses, cada um com suas características que os tornam únicos, e aprende que pode amar, cultuar e convidar para sua vida diferentes deuses, e o amor por um novo deus que aparece não diminui o amor que você tinha pelos outros.
Será mesmo que a religião na qual você cresce e a forma que aprende a enxergar o Divino e se relacionar com ele não vai se estender a forma como vai se relacionar com as outras pessoas, inclusive nas relações amorosas?
Falo por experiência própria, nos tempos em que eu era monoteísta não me passaria nunca pela cabeça a idéia de viver mais de uma relação amorosa ao mesmo tempo. E hoje que sou politeísta e Poliamorista enxergo muita influência em ambas coisas que fazem parte da minha vida. Não cheguei ao Poliamor já depois de pagão só pela liberdade sexual e afetiva que encontrei nesse caminho, mas também porque tive que desaprender a amar como eu amava antes, e aprender a amar de um jeito diferente... O amar muitos deuses fez meu coração se expandir, a ponto de caber muitos amores humanos também.
Hoje estou numa fase em que Hekate se tornou muito mais presente na minha vida, e estou completamente apaixonado por ela, mas isso não diminuiu meu amor por Ísis ou Yansã por exemplo, pelo contrário, percebo como que cada uma delas é tão diferente da outra, tão única, que seria impossível pra mim amar só uma.
Nas relações amorosas a mesma coisa, meu namorado é ainda muito recente e a cada dia na medida em que vamos nos conhecendo melhor, mais me apaixono por ele, isso também não diminui meu amor pelas duas outras pessoas com quem eu já me relacionava, muito pelo contrário também: Percebo que tudo que ele tem que me encanta, eu não encontro nas outras duas, e tudo que elas tem que me encanta ele também não tem. E seria impossível pra mim escolher amar ume só.
Bem, é isso... Comecei a refletir sobre esse assunto aqui em casa e decidi escrever sobre ele. Espero que eu tenha sido claro o bastante.
E a vocês que estão lendo, sejam amantes livres ou não, politeístas ou não, eu so desejo "Que os Deuses do Amor estejam a lhe proteger" 🎶
Beijos e Bençãos!
Raio de Yansã
*obs: as relações citadas aqui como atuais não são mais tão atuais assim, pois esse texto foi escrito em meados do ano passado e algumas coisas mudaram de lá pra cá. Atualmente estou sozinhe, mas continuo sendo poliamorista.

Sobre Términos em Relações Não-Monogâmicas 2

Não é a primeira vez que falo disso aqui, afinal se falo muito de amor, normal que eu fale também sobre o fim dele (ou melhor: sobre o fim de relações sociais que o tenham como base/motivação). Cá estou eu escrevendo esse texto após o fim de dois namoros: um término ontem com uma menina que eu estava namorando a menos de um mês, e um término hoje com o menino com quem eu estava junto a mais de um ano e morando junto. Estou triste? Sim, sem sombra de dúvidas! Todo fim dói, toda morte exige um luto. Porém eu não fico mais destruído como eu ficava quando eu era monogâmico. Algumas pessoas me julgam seco e insensível por isso, mas de boa, elas não me enxergam de verdade... Eu por dentro estou profundamente triste, e meus olhos estão molhados de lágrimas enquanto escrevo isso. Mas o que eu vou fazer? Agir como criança que chora e faz pirraça porque quer ter determinado brinquedo? Não, de forma alguma eu me sujeitaria novamente a esse papel como já fiz no meu passado. Sabe, o Poliamor, tanto no estudo de sua filosofia e na leitura de relatos de outras pessoas, quanto na vivência mesmo, me fez amadurecer muito com relação às minhas relações amorosas. Um exemplo disso é a amizade que tenho hoje com ex-amores meus. E outro é que hoje eu crio (ou pelo menos tento) muito menos expectativa do que antes, e sei que essas relações podem acabar a qualquer momento, então fico feliz pelo que for vivido, pelo tempo que tiver durado. Se durou um ano, ótimo! Se durou três meses, ótimo! Se durou a intensidade de apenas uma noite de prazer, ótimo também! Estava falando com essa ex-namorada minha inclusive, que eu odeio quando as pessoas falam: “ Puxa, não deu certo? ” Claro que deu certo! Deu certo pelo tempo que deu pra durar, pelo tempo em que as pessoas quiseram dividir seus dias, pelo tempo em que o sentimento e o desejo falaram mais alto que as dores e dificuldades diárias. Deu certo pelo tempo em que elas compartilharam sonhos e um desses sonhos era estar uma com a outra. Mas como tudo na vida, acabou. Eu não vou invalidar todo o tempo que vivemos juntos dizendo que não deu certo. Deu certo sim e por UM ANO E VINTE E DOIS DIAS! Mas acabou! Não vou ficar caçando defeitos no meu ex, não vou sair falando mal dele... Pelo contrário: Sou eternamente grato e tenho uma verdadeira dívida com ele por tudo que ele aguentou. Dívida essa que inclui uma parte pagável, e outra que espero que meu amor tenha sido o bastante para compensar. Não vou caçar culpados! Não vou dizer que a culpa é dele e ficar me fazendo de vítima. Tampouco vou ficar em autocomiseração dizendo que “nenhum namoro meu dá certo”, que “eu que sou errado”, que “não mereço ser amado” ou qualquer coisa assim. (Sabe, uma vozinha já veio sussurrar esse tipo de coisa hoje, mas sei que é nada mais do que a minha sombra me auto-sabotando, e eu não vou dar ouvidos a ela!) Eu mereço sim amar e ser amado, e todos os amores que passaram pela minha vida, pelo meu coração, pela minha cama, idem! Se não foi entre nós ou foi entre nós por pouco tempo, ótimo! Foi bom/lindo/gostoso enquanto durou! E tem amores de sobra lá fora nos esperando para serem vividos! Bom, é isso! Não sou o seco e insensível que dizem não, pra ser sincero esse fim está doendo bastante aqui dentro! Mas ao mesmo tempo também já consigo ser racional o bastante para equilibrar meus sentimentos e dizer: Vida que segue, bola pra frente!

"O Pra Sempre, Sempre Acaba" - Sobre Fim de Relações Não-Monogâmicas


(Escrito em 01 de Setembro de 2015)
Essa semana eu estava conversando com duas amigas monogâmicas que eu não via a muito tempo, e é claro que minha não-monogamia virou assunto por uma boa parte do tempo em que estivemos juntos.
Entre as muitas coisas que elas perguntaram, duas eram sobre término: "Vocês terminam um namoro? Ou eles duram pra sempre, já que pra viver novas relações vocês não precisam terminar as antigas?" E a outra pergunta foi "Ah, mas vocês nem sofrem se terminam com vocês né, afinal ainda tem os outros"
Pois bem, no dia seguinte ao acordar, meu whatsapp tinha uma mensagem. Minha namorada, aquela de quem eu falei no último texto, estava terminando comigo.
Bom, eu já esperava por isso por motivos que não cabe aqui aqui mencionar, assim como não cabe também mencionar os motivos dela para o término. Apenas posso dizer que a distância física foi um fator de grande peso. E como esse blog é pessoal e falo sempre das minhas relações achei necessário sim falar que uma delas não existe mais.
Eu não sei falar de algo que acredito e defendo sem citar os meus exemplos, sem falar de mim, do que vivo.
Minha vida é um livro aberto, e não quero fechar esse livro.
Eu gosto de blogs e zines por isso. Eu gosto do que é pessoal, livros acadêmicos ou jurídicos sobre Poliamor não me prendem a atenção. Eu gosto de relatos pessoais ou de ficção também. Eu gosto de ler sobre o que a pessoa vive, pensa, sente... Seja uma pessoa mesmo ou uma personagem.
E bom, depois desse paragrafo totalmente desfocado vamos voltar ao assunto central do texto, né? Mania besta essa minha de falar de dez coisas ao mesmo tempo e não terminar nenhuma delas.
Então voltando, o foco desse texto é Fim De Relacionamento e como pessoas não-monogâmicas lidam com isso.
Claro que não posso falar em nome dos outros, mas falo de mim, da minha experiência. E bom, eu aprendi na pratica do Amor Livre a não criar tantas expectativas com relação as pessoas que gosto. E com Osho eu tenho aprendido um amor que vai além da reciprocidade.
Isso faz com que hoje eu consiga ter uma paixão platônica sem sofrer com ela. Eu já consigo gostar de alguém sem sentir necessidade de ela gostar de mim de volta. Vivi isso na prática há pouco tempo.
E mesmo quando ha reciprocidade, e você começa a viver uma relação com aquela pessoa, você já não idealiza mais o "pra sempre". Você sabe que ela não vai "trocar" você por outra pessoa, que ela pode ter sentimentos por ambas. Mas quem disse que relações só acabam por isso? Se a pessoa não estiver mais feliz com você, ou passar a sentir um sentimento diferente, mais pra "amizade" porque não colocar um fim no laço afetivo-sexual que vcs tem?
Então a resposta à primeira pergunta é sim. Relacionamentos Não-Monogâmicos também acabam uma hora, embora pela liberdade possam ter uma duração maior sim.
E sobre o sofrimento? Então, é aí que entra toda a parada de expectativas e idealizações que eu citei. Você acaba vivendo uma relação muito mais madura, que você sabe que pode sim acabar e que isso não é o fim. Eu já vivi casos de eu querer me matar por causa de um fim de namoro. Isso me levou a perceber que a forma que eu me entregava às pessoas e aquilo que eu esperava delas era totalmente absurdo e irreal. Dai pra eu começar a estudar e trabalhar tais coisas foi um pulo ne?
(eu sempre pesquiso livros e sites de filosofia e psicologia quando quero entender melhor determinados comportamentos meus no amor).
E bom, hoje estou mega reflexivo, pois esse fim não me deixou pra baixo nem nada assim, mas me fez refletir sobre outras questões que quem sabe em breve não virem postagem aqui no blog também.
Bom, apesar da Vênus em Peixes que faz de mim um bobão apaixonado, romântico e sensível(totalmente contraditório ao que se esperaria de um aquariano), eu vejo que amadureci muito na forma como lido com rejeições e términos. Ainda tenho muito o que aprender é claro, mas mente e coração aberto pras lições da vida não me faltam, então não vai ser tão difícil.
Que Oxum e Yansã, que cuidam juntas de meu coraçãozinho, não me deixem também endurecê-lo com tanta racionalidade. Mas tampouco amolecê-lo para sofrer com qualquer emoção.
Em busca do equilíbrio estou, e que quase nada me tire dele.
Bjs a todos.

Carnaval e Transfobia: Porque Eu Odeio o "Bloco das Piranhas"

"sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Brincadeira de Mau Gosto
Vem chegando o carnaval, e eu particularmente adoro!
três dias de folga, varios dias de festa nessa cidade que quase nunca tem nada, e a predominancia nos shows de um estilo musical que eu AMO: Axé!
Porém tudo tem seu lado ruim, e com o carnaval não é diferente! Não vou falar aqui sobre pessoas dirigindo bebadas, sobre beijos forçados, sobre brigas... isso acontece em qualquer festa!
be0697_a98321e59ee7409da9b68451388b159aQuero mais uma vez chamar atenção pra um ato coletivo transfóbico, machista e misógino, que é disfarçado de "brincadeira", "zoação"...
O famoso "Bloco das Piranhas", que acontece em vários lugares do Brasil em diferentes dias do Carnaval, mas que aqui na minha cidade acontece logo no primeiro dia, na sexta-feira. Neste dia eu nem sequer saio de casa! eu odeio essa palhaçada, sério, odeio mesmo!
E o que mais me decepciona é que além dos homens cis héteros, que neste dia se vestem de "mulher" e são machistas, homofóbicos, misóginos e transfóbicos no resto do ano todinho, vejo também vários amigos meus que são homens cis gays(que deveriam apoiar/defender outres LGBT) e saem juntos nisto, aproveitando inclusive a data para realizar uma especie de fetiche ou sonho sem ter suas sexualidades questionadas(sim, porque para a sociedade em geral, gênero e orientação sexual são a mesmissima coisa... #ignorantes)... aliás, muitos são os "cis héteros" que se sentem completamente realizados dentro de um vestido e em cima de um salto alto mas não tem coragem de assumir isso e se aproveitam dessa suposta "brincadeira" pra realizar tal desejo...
Mas voltando ao tema central da minha postagem, você já parou pra pensar no que realmente está fazendo quando "se veste de mulher" e sai nesse tipo de bloco?
Você está perpetuando um estereótipo de que a mulher é um ser sensual e provocador. que sai nas ruas com roupas curtas só para mecher com os homens;(Machista e Misógino)
Você está dizendo que uma Travesti ou Mulher Transexual não é uma mulher de verdade, que ela é "um homem vestido de mulher", e que ela é uma caricatura da "mulher real", uma versão ridícula e exagerada dela.(Transfóbico)
Está rindo, zombando, de uma figura que é que oprimida, ridicularizada, humilhada, excluida, agredida, assassinada simplesmente por existir e ser quem é... e não, esse tipo de brincadeirinha é de muito mau gosto e NÃO TEM GRAÇA NENHUMA!!!
#BlocoDasPiranhasÉTransfobia

Poliamor e Assexualidade



Uma vez em um grupo de Poliamor no Facebook um menino de apresentou e falou que era assexual. Não, ele nao foi compreendido e respeitado ali. Entre os muitos comentários, inclusive ofensivos, um me chamou atenção: Uma mulher disse pra ele que "ser poliamorista e assexual era incoerente"... Minha reação foi tipo: O.o
Bom, pra começar esse papo deixa eu falar de mim:  eu hoje me compreendo como demissexual. Sempre fui, mas não conhecia esse termo. Primeiramente, sempre tive problemas pra me envolver sexualmente com alguém sem estar antes envolvido emocionalmente. O que não quer dizer que eu não fosse pra cama num primeiro encontro! Ia sim, sem problema algum, mas nesse caso eu já estava envolvido, pois eu me apego fácil fácil. O que não rolava era sexo casual! Sexo por sexo pra mim não rolava, não me satisfazia em nada! E mesmo nos relacionamentos que vivi e duraram mais, eu percebia que o meu desejo sexual, mesmo nos momentos de maior intensidade, era menor do que o dos meus companheiros. Eu já "neguei fogo" (como dizem por aí) muitas vezes, e de boa, se fui "traído" nem me importo, pois eu realmente não poderia satisfazer todas as necessidades de quem estava comigo, sexualmente falando.
Então, quando eu decidi que não queria mais viver monogamia, sexo não foi um dos meus motivos! Eu não estava querendo "diversificar" na cama. Meu namorado da época tinha uma química foda comigo e como eu falei, nem dele eu dava conta. O problema pra mim era sentimento: Durante o tempo de relacionamento eu me apaixonei por muitas outras pessoas, e não pude viver isso, pois eu nao queria nada escondido! Eu queria beijá-las, andar de mãos dadas, dividir momentos, e continuar com quem eu estava antes, pois era alguém com quem eu tava construindo uma história e alguém que eu amava muito e não queria ter que escolher entre uma coisa e outra. Mas tive que escolher, e como a relação tinha muitos problemas acumulados também, preferi a minha liberdade.
Então pra mim, a questão que me levou ao Poliamor/Amor Livre não é e nunca foi sexual. Pra mim a questão é amor, é paixão... E isso pode envolver sexo, ou não!
Então quando vejo alguém falando que um assexual não pode ser poliamorista pois isso é "incoerente", eu me pergunto primeiro o que que essa pessoa entende por Poliamor, e em seguida, o que ela entende por Amor!
Pois amor não é sinônimo de sexo! Uma pessoa assexual pode desenvolver vários relacionamentos  afetivos/românticos ao mesmo tempo e sim, isso é Poliamor.
O que é incoerente pra mim é uma pessoa querer defender o que vive dizendo que Poliamor nao é só sexo quando um monogâmico diz que é putaria, mas agir dessa maneira com relação a uma pessoa demi ou assexual.
É engraçado que as pessoas se dizem desconstruídas e livres por que são diferentes de um padrão, mas nao desconstroem seus próprios preconceitos!
Precisamos falar sobre muitas coisas dentro dos espaços não-monogâmicos (virtuais ou físicos) e repensar a forma como lidamos com elas. Assexualidade é uma dessas coisas...

Amor Livre de Que?


O que vou falar aqui é algo que eu já vivenciei dos dois lados: Como quem sofre e como quem faz sofrer. Quero falar sobre como muitas vezes usamos de nossa liberdade de se envolver afetiva e sexualmente com outras pessoas de uma forma que magoa alguma(s) delas. Como muitas vezes nós simplesmente ignoramos as reações do outro, a insegurança do outro, os ciúmes do outro, a sensação do outro de que esta sendo preterido em comparação à um novo amor nosso e outras sensações mais sob desculpas de que a outra pessoa tem que ser mais desapegada e de que ela já nos conheceu assim ou era essa nosso trato, ne?. Nosso amor è Livre? Que lindo! Mas livre de que? Eu sempre falo que tem que ser livre de ciúmes, de posse, mas não livre de cuidar com o outro!
Muita gente confunde Poliamor e RLi com relações sem vínculo. E infelizmente eu não estou falando de pessoas monogâmicas que nos criticam. Eu tô falando de gente que se utiliza desses rótulos pra viver uma liberdade sem limites(e até aí ótimo pois não quero limitar a liberdade de ninguém) mas sem responsabilidade também! Gente que acha que se envolver afetiva e sexualmente com alguém é bom, mas se preocupar, cuidar, não.
E o pior é que isso passa para outras pessoas, que gostariam de viver relações não-monogâmicas inclusive, que essas relações não são lá muito diferentes de solteirice ou traição. Ou você nunca viu uma mulher negra e/ou trans dizer que essa história de amor livre é apenas uma desculpa pros caras continuarem tranzando com elas às escondidas sem assumir publicamente tais relações? E o pior é que elas estão certas e isso é triste! Pois cara desse tipinho é o que mais tem por aí, e o pior, eles acabam servindo de exemplo do que nós vivemos para aquelxs que não vivem.
E é aí que eu sem querer já mudei de assunto e entrei em outra questão: Amor Livre Pra Quem? Mas isso já é assunto pra uma outra postagem!
Por hora, finalizo essa resumindo a idéia que eu quis passar: Precisamos rever a forma como nos relacionamos com as pessoas. Não é porque somos livres pra namorar outras pessoas e essas pessoas também (ou deveriam ser, nem todas são, mas disso também trato nesse outro texto) que nós não vamos se importar com elas, cuidar delas, amá-las! Se quer viver relações sem vínculo viva! Mas não use como desculpas e rótulos nomes de movimentos que defendem coisas bem diferentes dessa liberdade irresponsável.

Ciúmes: Algo A Ser Tratado!

“O ciúme é só vaidade” já diz a canção A Maçã do Raul Seixas. Já pararam pra pensar em como o ciúme é um sentimento bobo e desnecessário? Em como ele é nosso em todos os sentidos? Você sente ciúme da sua namorada com os amigos dela não porque não confia nela. Você não confia é em você mesmo! Você não se acha tão interessante assim, e acha que ela pode facilmente se apaixonar por um deles, e o pior, em sua mente limitada isso seria um deixar de gostar de você… A monogamia faz com que tratemos aos outros e a nós mesmos como produtos… Quando fica velho, quando já não é tão belo e/ou interessante, a gente troca por outro. Você faz isso com seus celulares, e com seus namorados também.
A partir do momento em que você se liberta da monogamia e passa a entender que novos amores não destroem amores antigos, e que o coração tem amor de sobra pra você e outros amores dela (sejam amigos ou parceiros sexuais) o ciúme deveria deixar de existir, certo? Mas na prática não é tão fácil assim! Somos ensinados a desde pequenos ter ciúmes de tudo que é “nosso”… Começamos com nossos brinquedos, e estendemos aos nossos namorados. Não é simples você olhar pra sua namorada abraçada com outro cara e falar olha que lindo… Mas devia ser, não? A gente não sente ciúmes de quem gosta, a gente sente ciúmes do que “possui”. Eu por exemplo tinha muito ciúmes dos meus livros, mas eles são objetos, não pessoas, e olha que até deles eu já não tenho mais, já peguei livro “favorito” e simplesmente dei, to me desapegando do que é material cada dia mais, daqui a pouco viro hippie se minha lua em touro não me atrapalhar haha. Agora com relação às pessoas, eu já senti ciúmes bobos no passado sim, mas nunca impus o meu ciúme, nunca fiz escândalo nem nada assim. Mesmo eu sendo monogâmico eu já achava que aquilo era algo meu e que eu que tinha que tratar. Então foi o que eu fiz, comecei a ler muito sobre o assunto e absorver o que lia. Teve um tempo em que eu já não sentia ciúmes mais, mesmo estando em uma relação monogâmica, o que por vezes era visto como “falta de amor” por meus companheiros. Mas pra mim falta de amor é o que pessoas já fizeram comigo por causa de ciúme, elas tinham um amor doente, e não queriam remédio pra ele. Já tive namorado que criou perfil falso na internet pra dar em cima de mim e ver qual seria minha reação.
Isso é um sentimento bom e saudável? Ciúme não é prova de amor. Ciúme não é um sentimento bonitinho. Ciúme é a insegurança de que você seja bom o bastante pra que alguém queira estar do teu lado. Ciúme é posse, é a errônea idéia de que a pessoa com quem você namora é “sua” e não pode se divertir com outras pessoas, ou pode de maneira limitada. Porquê a gente se importa, se entristece, se chateia com alguém também fazer feliz quem a gente ama? Frequentemente me perguntam se eu não tenho ciúmes do Caio ficar/namorar com outras pessoas. Ora, porque eu deveria ter um sentimento tão bobo? Eu sempre respondo pra essas pessoas que eu só vou ficar triste/chateado/com raiva de alguém se esse alguém machucar ele, fizer ele sofrer. Agora se estão fazendo ele feliz e dando momentos de alegria e prazer a ele eu tenho que ficar feliz com isso. Eu amo inclusive que ele me conte sobre suas outras paixões, não por cobrança, mas porque realmente eu fico feliz em saber que pessoas fazem ele feliz e lhe dão prazer. Ah, e eu sou muito seguro do sentimento que rola entre nós, de toda a história que a gente já viveu nesse pouco tempo. E sei que o sentimento dele por qualquer outra pessoa não “ameaça” o meu, são sentimentos diferentes, únicos. E sim, ele pode vir a querer terminar comigo sim, mas por motivos pessoais, por não estar satisfeita com nossa relação, mas nunca porque alguém foi mais interessante que eu e tomou meu lugar. Meu coração no lugar dele ta definido faz tempo e ainda tem espaço pra muita gente se ele quiser. São amores diferentes e essa idéia de que um amor ameaça a existência do outro é uma bobeira.
Bom era pra falar sobre o ciúme e acabei falando demais sobre mim e até mudando um pouco o foco né? Mas isso é um blog pessoal, não quer saber de mim não o leia kkkkk Resumindo o que quero dizer aqui, é que o ciúme é um sentimento desnecessário, e todo seu! Não é seu amor que provoca, é algo seu e que você deve perceber e tratar. Sim, tratar! Pessoas matam por ciúmes! Você não acha que isso é uma “doença”? Eu indico alguns livros que li inclusive quando eu era monogâmico e me ajudaram bastante, e se você ver que seu ciúme pode estar num nível muito forte, indico a ajuda de um psicólogo também. Sejam relações poliamorosas, livres ou monogâmicas, mas que sejam relações saudáveis! Dicas de livros:
  • #Osho – “Consciência: A Chave Para Viver Em Equilíbrio(Ed. Cultrix) [o cara é foda! Eu gosto muito dos escritos dele. Ele tem livros sobre específicos sobre amor e ciúme mas que infelizmente eu não li ainda, mas em seu livro “Consciência” ele já toca no assunto de uma forma muito legal!]
  • #Valério Albisetti – “Ciúme: Conhecer, Enfrentar, Superar” (Ed. Paulinas)
  • #Elizabeth Zamerul Ally – “Juntos Porém Livres: Harmonizando Amor E Individualidade”
Bom, por hoje é só. Lembrando que esses livros que falei não tratam especificamente de Poliamor/Amor Livre, mas sim do ciúme e do respeito a individualidade do outro, portanto os recomendo à todos, inclusive monogâmicos. Possamos ser saudáveis e felizes em nossas relações! Beijos e Bênçãos à todos!

Conceito de Fidelidade Em Relações Poliamorosas



Às vezes algumas pessoas ao saber que sou poliamorista dizem "nossa, você trai seu namorado e ele sabe?" ou então aquelas que sabem que isso não é traição mas ainda assim perguntam "mas vocês tem algum conceito de fidelidade? Porque parece que pode tudo"
Então, vamos por partes. Mas antes vou colara aqui a definição de Fidelidade segundo a Wikipédia: "Fidelidade (do latim fidelitas pelo latim vulgar fidelitate) é o atributo ou a qualidade de quem ou do que é fiel (do latim fidelis), para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva suas características originais, ou quem ou o que mantém-se fiel à referência."
Após essa breve definição vamos às respostas e considerações sobre essas questões:
1-Não, eu não traio meu namorado. Traição ou Infidelidade só ocorre quando um acordo é quebrado. Um casal que tem uma relação monogâmica, e consequentemente um acordo de exclusividade afetiva e sexual e um deles (ou ambos) se relaciona com outra pessoa sem o conhecimento e consentimento do outro está sim traindo aquela pessoa, sendo infiel ao acordo que havia entre eles. Infidelidade não quer dizer se deitar com uma outra pessoa ou algo assim, mas sim quebrar um acordo que foi feito. Eu e meus amores não temos nenhum acordo de exclusividade, logo eu posso sim beijar e transar com quem eu quiser que eu não estou traindo-os;
2- Não, não pode TUDO! Relações não monogâmicas(ao menos as poliamorosas) são pautadas em acordos sim, aliás ele faz parte de suas bases e é uma das coisas que diferencia o Poliamor de outras formas de não-monogamia como o RLi. Agora, não há regras pré-definidas, quem decide o que "pode ou não pode" numa relação são os seus envolvidos. Cada casal/trisal/quarteto/grupo faz seus acordos e decidem suas regrinhas;
3- Sim, nós temos conceitos de fidelidade! Esse conceito se baseia exatamente no que eu falei acima, nos acordos que são feitos e a quebra deles é o que configura traição/infidelidade. Alguns casais/trisais/grupos usam o mesmo conceito de fidelidade de um casal monogâmico: São fechados entre um número x de pessoas e elas não podem se relacionar com outros de fora, e chamamos isso de Polifidelidade. Mas quem vive um poliamor aberto também vai ter seu conceito de fidelidade baseado no seus acordos, e isso não vai ter necessariamente haver com o fato de se envolver com uma terceira pessoa. Vou dar um exemplo meu pois esse blog é pessoal e è o que eu gosto de fazer, falar da minha experiência: Eu e meu namorado quando decidimos mudar de casa e morar juntos fizemos um acordo, de que só poderíamos trazer outras pessoas pra nossa casa se ja ha conhecêssemos e não sem antes avisar o outro com antecedência. Na verdade essa regrinha foi criada por ele e eu concordei. Mas antes mesmo de que eu me mudasse para a casa, ele recebeu uma visita de um menino, que ficou com ele e dormiu em nossa casa e ele só me avisou isso na hora que estava indo buscar o garoto. Eu me senti muito mal na época e tivemos uma discussão bem complicada por isso. Ele me traiu em ter ficado com o cara? Não! Mas me traiu em ter quebrado um acordo que havia entre nós e que inclusive ele mesmo tinha criado! Espero que meu exemplo tenha sido bem claro, mas há outros casos específicos também: Se um casal decide por exemplo que o cara não pode se envolver com uma amiga dela ou que ela não pode ficar com um ex-namorado e eles fazem isso, eles estão quebrando o acordo e traindo. Então há sim um conceito de fidelidade e tem a mesma importância que a exclusividade tem para um monogâmico.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Uma Mesa Para Três, Por Favor! - Um Pequeno Conto Poliamorista


"Ela era assim, não conseguia amar pela metade, viver pela metade...
Ter que escolher, se limitar...
Amor para ela estava além...
Além de rótulos e regras, além de gênero...
Ela podia amar homens, ela podia amar mulheres e podia amar pessoas que não se definiam como uma coisa nem outra...
Podia inclusive sentir todas essas possibilidades de amor simultaneamente... E vivê-las, pois amar em sonho apenas também não lhe bastava.

Óbvio que era altamente criticada por seu jeito de ser e amar..
Ela era a "indecisa" que não sabe se gosta de homem ou mulher, e claro, a "puta" que da pra um monte de gente...
Mas sabe, ela já não ligava...
As ofensas, mesmo as gritadas em alto e bom som no meio da rua, já não tinham mais o poder de lhe arrancar lágrimas.

Andava de mãos dadas na rua com seus amores, fossem quem fossem, inclusive com dois ao mesmo tempo, aos quais ficava tentando dar atenção e carinho equilibradamente, e enchia ambos de beijinhos para terror dos que passavam perto.
Não ligava, não tinha do que se envergonhar. Ela estava expressando o sentimento que pra ela era a razão da existência de tudo: O Amor.
E após toda aquela deliciosa caminhada, chegava num restaurante e educadamente pedia:
-Uma mesa para três, por favor!"
(Escrito em 12 de agosto de 2015)

O Homem Gay Não É Tão Privilegiado Assim no Poliamor


Bom, antes que alguém venham me apedrejar, leia o texto. Não gostou de algo? Criticas são bem vindas. Não pretendo ser dono da verdade, mas pró-feminista eu pretendo e faço o possível pra ser. Quem me conhece sabe que não sou machista(ou ao menos tento muito não ser)
Esse texto é pra falar de Poliamor/RLi e outras relações não-monogâmicas consensuais, e a presença de gays nesse "meio". O motivo do título é o de uma comparação (que não pretende ser uma equiparação, apenas quero usar o exemplo como base e não diminuir a importância do debate citado).
Sempre fala-se sobre como o homem é privilegiado e ao invés de criticado por ter mais de uma parceira, vai ser considerado o garanhão. Já a mulher, se tem mais de um@ parceir@ é considerada a "puta". Infelizmente essa porra é verdade. Vivemos em uma sociedade machista e misógina e isso se reflete mesmo nos meios ditos libertários.
Agora, o que temos que ver é que esse é um privilégio hétero e só vai se estender à um homem gay/bissexual se esse exibir mulheres por aí e não assumir suas relações homossexuais. Pois pro gay assumido, principalmente se for afeminado, as coisas são bem diferentes
A comunidade gay sempre foi vista como promíscua. Quem nunca ouviu falar, quando um casal gay se separa, que "viado é assim mesmo, não para com ninguém!"? Até os filmes/livros que retratam uma relação homossexual, ou o casal separa no fim ou um dos dois morrem. É raro um que o casal "dê certo", pois a visão que se passa é essa, de que amor gay não existe, as relações são puramente sexuais e por isso acabam logo assim que um ou ambos enjoam. Logo pra um gay assumir-se como não monogâmico pode ser tão ou quase tão difícil quanto pra uma mulher. Nós não somos considerados os garanhões por isso não. Pelo contrário, quando é pra falar de viado afeminado, o termo puta também é usado em grande escala.
E não pense que esse preconceito vem apenas dos héteros não. A quantidade de gays que eu já conheci que quando falo que vivo Poliamor diz que isso é putaria, que eu não gosto de ninguém e tal não ta no gibi. E vocês mulheres sabem disso, pois aposto que já ouviram coisas parecidas de suas amiguinhas mais "conservadoras".
Bom, não estou aqui querendo comparar esses casos numa tentativa de diminuir nenhum dos dois. Quero apenas chamar atenção para a semelhança entre eles. O Patriarcado não fere só as mulheres, mas aos gays também. A homofobia é carregada de machismo e misoginia. Ou nunca percebeu que quando um hétero (ou até um gay, do tipo 'machão') ofende um viado ele usa de palavras no feminino, para reafirmar que ele não é homem, Que ele é uma "mulherzinha"?(como se isso fosse algo ruim...)
O Poliamor não tem espaço para mulheres, negr@s, trans, gays afeminad@s... Ele tem sido (e eu percebo muito isso em grupos de Facebook por exemplo) um lugar onde o que ta reinando é homem-branco-cis-hétero, atrás de ter várias mulheres (e geralmente, mulheres que só tenham ele como homem e só fiquem com outras mulheres). Precisamos nos impor ao Machismo que reina nesses grupos/lugares/eventos sim. Mas precisamos de um Feminismo interseccional, que perceba que a travesti, o gay afeminado, a pessoa gorda, a pessoa negra, também são vítimas. Os homens tem um privilégio sobre as mulheres sim, mas um tipo bem específico de homem. Então não me coloquem no mesmo saco que eles, pois eu também sou chamada de Puta.

"Não Gosto de Emos!" - Machismo e Homofobia Disfarçados



Lembro-me emo051quando eu era adolescente e era emo (era?), de que nenhuma outra "tribo" do rock gostava de emos: punks, góticos, metaleiros, etç...
Esse simples "não gostar" vinha quase sempre, "por um acaso", de homens cisgêneros e héterossexuais(engraçado, não?)... E podia se manifestar desde um simples afastamento, de não querer ser amigo e/ou andar junto, até mesmo à agressão física.
Tal repúdio vinha com justificativas relacionadas às vestes, maquiagens e comportamentos que quebravam conceitos de gênero e sexualidade.
Vindo de "Punks", principalmente, esse repúdio me parece totalmente incoerente, visto que o chamado "Movimento Punk" trouxe em sua história desde o começo, uma luta contra a homofobia e quebras de regras de gênero também (homens punks usando calça legging e skilts por exemplo!)
Aliás só posso fazer esse comentário hoje, só cheguei ao Punk e ao Anarquismo, muito mais tarde, através da banda Dance Of Days e dos zines de seu vocalista, o Nenê Altro, pois a visão que eu tinha dos Punks era de uma tribo de pessoas brigonas e intolerantes... eu tinha medo de punks!
Se eu tivesse tido oportunidade de conhecer de verdade o AnarcoPunk naquela época, em minha rebelde adolescência, penso na revolução que eu poderia ter feito! haha
Mas enfim. deixando minha história e opinião um pouco de lado e voltando ao assunto principal do texto, já pararam pra pensar no machismo e homofobia presentes nesse repúdio generalizado à "Tribo Emo"?
Emos (e me refiro aqui à essa onda que invadiu o Brasil cá nos anos 2000, e não aquela versão old school lá dos anos 80) sempre defenderam a luta contra a lesbohomofobia, defendiam a manifestação de carinho entre amigos idependente de seus gêneros e de suas sexualidades, e adotavam um estilo andrógino, que incluia meninos de rosa e maquiagem por exemplo. Ah, e suas letras eram poesias bem íntimas que falavam de amigos, família, e principalmente: amor!
Era isso que incomodava! diziam que eles eram exagerados em seus estilos (porra, regrinhas de como se vestir e se comportar? dentro do rock?) Diziam que a maioria era "poser", que aquilo não passava de modinha...
Ah, e criticavam o fato de que eles não tinham uma ideologia, uma visão política... Aí estão presentes mais alguns erros: eu sempre gostei muito de ler, ouvia outras coisas além do emocore, como a Pitty por exemplo, e nunca fui uma pessoa alienada só por ser emo; Segundo, eles tinham sim uma "ideologia", já que traziam a quebra de gêneros e a livre espressão sexual e de sentimentos como suas bandeiras!
E terceiro, se ao invés de críticas, eles tivessem recebido conselhos e aceitação, poderiam formar bandas que falassem tanto do amor quanto da politica, da liberdade... (Como sempre fez por exemplo o Dance Of Days, e fazem algumas bandas que estão surgindo aí e que assumidamente tocam tanto hardcore quanto emocore).
O Emocore, enquanto uma vertente do hardcore, podia ter amadurecido e crescido muito aqui, se não fosse o preconceito e resistência dos integrantes de outras vertentes que vieram antes...
Voltando, somente cegos e ignorantes não enxergam o quão machistas e preconceituosas eram às críticas aos emos! Quem nunca ouviu por exemplo que todo emo era gay??? Não, isso não era verdade, mas a simples hipótese já incomodava o bando de homofóbicos que se intitulavam pessoas libertárias! Eles queriam liberdade para quem afinal? Queemo.png liberdade é essa?
Eu cresci, passei a não me denominar mais como emo, pprque meu gosto musical foi ficando cada dia mais eclético, e porque eu já não queria mais rótulos sobre mim... Mas nunca parei de ouvir as bandas que eu ouvia naquela época...
E fico muito, mas muito feliz mesmo, de ver que o Emo não morreu, mas que está voltando com tudo e de forma muito mais madura!
E viva a liberdade musical, sexual, de gênero e sentimentos!!!
E viva a LIBERDADE que ultrapassa barreiras!!!
(texto escrito em janeiro de 2015)

Quem é Dian Y Glass, O Deus Azul?



Essa semana um amigo me perguntou no Facebook quem é Dian Y Glass. Ao começar a digitar a resposta pra ele vi que ficou grandinha e que como muitas outras pessoas podem ter essa mesma dúvida, decidi postá-la aqui.
Dian Y Glas tem sua origem numa Tradição de Bruxaria Tradicional chamada Feri (Se você conhece outras Tradições de Bruxaria não confunda com tradições "Faery", que são tradições das fadas). Nessa Tradição ele é o deus jovem, esta ligado a Primavera, e foi a primeira criação da Deusa Estrela através do próprio reflexo dela. Ele é sempre representado de forma andrógina, muitas fezes contendo seios e pênis ao mesmo tempo. Ele também é chamado de Melek Taus, Deus Azul (Blue God), e recebe o título de "Risonho Deus do Amor". Nessa Tradição ele também representa o nosso Eu Divino, nosso Deus Interior.
Então por representar o Amor em sua essência, por ter características andróginas e por representar também aquilo que somos de verdade, a nossa essência sagrada, ele passou a ser reverenciado também fora da Feri por um movimento chamado "Paganismo Queer" (Queer Pagan/ Queer Witchcraft) que tem por objetivo sacralizar a gêneros e sexualidades queer/lgbtq e reverenciar deuses gays, trans, interssexuais. E sim, além dessa figura criada pela Feri, existem divindades antigas dos mais diversos panteões que são transgêneros ou tem mitos bi/homossexuais. Entre esses posso citar por exemplo no panteão Yorubá (que é um dos meus principais panteão de culto): Oxumaré e Logun-Edé, que são divindades Metá-Metá, ou seja, metade homem metade mulher; e um mito de amor entre Oyá e Oxum. Mas há também na mitologia grega por exemplo o caso de Apolo e Jacinto.
Além do Paganismo Queer, Dian Y Glas também chegou ao Paganismo em geral através da Starhawk, que foi iniciada na Feri antes de criar a Reclaiming e em seu livro Spiral Dance (traduzido no Brasil como A Dança Cósmica das Feiticeiras), que ficou famosíssimo e é recomendado pela maioria dos bruxos e wiccanianos que conheço, conta a criaçao do mundo baseada nos seus ensinamentos Feri, incluindo nesse mito o Deus Azul.
Como eu já disse em outra postagem aqui faz alguns anos que eu conheci o Deus Azul e foi exatamente através de um artigo sobre Paganismo Queer (Se não me engano foi em um artigo do Claudiney Prieto). E de lá pra cá fui pesquisando cada vez mais sobre Ele e ele se tornou na época uma "terceira pessoa" fixa no meu altar, onde tinha uma imagem do Deus de Chifres representando o Sagrado Masculino, uma imagem da Deusa Tríplice representando o Sagrado Feminino e uma imagem do Deus Azul ao centro representando o Sagrado Queer.
Hoje eu estou em uma nova fase e minha religiosidade não esta mais focada nessa divisão duoteísta de "O Deus e a Deusa", mas o Deus Azul não só permanece na minha vida como minha maior influência atualmente, o que mais tenho estudado sobre e adaptado as minhas praticas é a Tradiçao Feri, de onde Ele veio.
Bom, é isso... Isso é apenas um pouco sobre esse deus que foi pra mim uma paixão a primeira vista... Paixão que dura até hoje... ❤

Assumir-se Gay/Lésbica/Bissexual Para a Família


Uma vez em um programa de TV ouvi a Léo Áquila falar uma frase que me marcou: "Armários são pra roupas, não pra pessoas".
Faz Quatro anos que eu me assumi como gay pra minha família.
Ouvi de algumas pessoas que eu poderia muito bem viver tudo aquilo às escondidas, sem necessidade de me expor e blá blá blá... De boa, pra quem se satisfaz com isso, ótimo, parabéns e sejam felizes. Mas pra mim não dava! Eu não tava praticando nada de errado pra ter que esconder. E eu não ia viver um relacionamento hétero só de fachada, não ia fazer da minha vida uma mentira! Entendo que algumas pessoas preferem viver sua sexualidade "dentro de quatro paredes" o resto da vida, mas eu nunca fui e não sou uma delas. Eu tenho a necessidade pessoal de assumir quem eu sou e falar livremente sobre o que eu vivo.
Hoje eu estou morando em uma cidade grande e em outro estado, mas na época em que me assumi eu morava no interior do RJ, e isso só tornou tudo ainda mais difícil.  E sim, eu enfrentei cada barreira, passei por situações que às vezes prefiro nem lembrar: Ouvi palavras ofensivas do meu pai, vi meu irmão e vários outros parentes se afastarem de mim, vi minha mãe chorar pelos cantos... não foi fácil pra eles e eu entendo isso, mas não foi nada fácil pra mim também toda essa rejeição por algo que eu era, mas não tinha escolhido ser (como se escolhas também não devessem ser respeitadas né? Mas vocês entenderam o que eu quis dizer)
Mas sabe o que eu digo quando um@ amig@ me conta que assumiu sua homo/bi/pansexualidade? Que no começo não é mesmo nada fácil (são raras as excessões, em que pessoas LGBTQ vão encontrar total apoio e aceitação em suas famílias), mas que elas deem tempo aos seus familiares e continuem vivendo sua vida normalmente até que eles percebam que el@ continua sendo a mesma pessoa de sempre e seu amor se sobreponha aos seus preconceitos. Sei que infelizmente também não é sempre que isso vai acontecer e algumas famílias vão agredir e/ou expulsar essxs jovens de casa por exemplo, e eu sinto muito mesmo em saber que isso acontece. Mas falando da minha experiência pessoal, graças aos Deuses foi diferente e eu vi toda aquela cena se transformar nos últimos anos, e nesses últimos meses antes de vir embora eu já apresentei namorados pra família, já me reaproximei totalmente do meu irmão e fui carregado muitas vezes na garupa da bicicleta como uma criança pelo meu pai, o mesmo pai que um dia lá atras disse na minha cara ter vergonha de mim... Só eu sei a intensidade de tudo isso, e o quanto me sinto vitorioso por tudo isso...
Pois eu podia ter mantido tudo em segredo e viver de mentiras para agradar, mas eu preferi mostrar quem eu era de verdade e deixar que me amassem ou odiassem como quisessem, mas por aquilo que realmente sou. E valeu a pena sair do armário, não me arrependo nem um pouco.
Sei que não sou necessariamente uma pessoa feliz, principalmente por causa da minha depressão, mas minha infelicidade seria muito maior se eu não tivesse saído de lá, se eu não tivesse tido a coragem de botar a cara a tapa... A Minha Vida Não é Tão Linda Aqui Fora Do Armário, Mas Lá Dentro Estaria Pior
Aos filhos que foram completamente rejeitados, expulsos, agredidos... Eu sinto muito mesmo por isso e espero que apareça alguém na sua vida que te aceite, apoie e ame. Apenas não desista de si mesmo!
Aos filhos que estão sendo ignorados ou ofendidos... sei que não é uma escolha de vocês e que vocês não merecem isso, mas tentem entender o lado de seus pais, o tipo de educação e bases religiosa que eles tiveram e dê tempo ao tempo pra eles assimilarem sua mudança. Ajude-os também a estudar sobre o assunto se eles quiserem... Apenas não desista de sua família!
Aos pais que não estão sabendo lidar com a sexualidade de seus filhos... Eu sei que é difícil mesmo entender algo que você cresceu ouvindo quera errado, pecado, vergonha. Mas por favor, tente pesquisar sobre o assunto, tente entender quem é seu filho/sua filha, peça a ajuda del@ pra isso... Mas não @ ofenda, não @ agrida, não diga que tem vergonha del@ ou que el@ não é mais su filh@, não a ponha pra fora de casa! El@ não escolheu ser diferente e não pode mudar isso, mas você pode mudar seu preconceito e se tornar o que el@ mais precisa: um porto seguro, uma família que a ame e apoie e a ajude a enfrentar o mundo lá fora que já vai ser bem difícil... Apenas não desista de sus filh@s, não desista da sua família!
Pais ou filhos, quem estiver passando por essa fase e quiser alguém pra conversar, pode me mandar um e-mail pra rayodhevakot@gmail.com ou me chamar no inbox do facebook. Em ambos os casos responderei assim que eu puder...
Que o AMOR esteja sobre todxs vocês.... e que ELE fale mais alto que qualquer preconceito!

Relatos de Minhas Tentativas Falhas no Poliamor

Esse texto tava em uma zine que eu ia lançar e é meio grandinho e muito íntimo, falo aqui sobre minhas primeiras tentativas em viver relações não monogâmicas e os erros que cometi com outras pessoas e comigo mesme.
Ah, os nomes foram alterados, mas todas as pessoas citadas são reais...

Por Um Amor Livre De Ciúmes E Posse, Não Livre De Sentimentos e Cuidado Com O Outro

(Reflexões e Relatos Pessoais)

Eu estava recém separado de um relacionamento gay monogâmico que tinha durado um ano e três meses, no qual cheguei a morar junto até. Foi para mim um relacionamento cheio de novas experiências maravilhosas, como o fato morarmos juntos e também por ser uma relação completamente assumida e na qual ambos éramos amados e respeitados pela família um do outro, mas também de algumas traumatizantes relacionadas a ciúmes, desconfianças e invasão de privacidade. Tanto por essas experiências quanto por um desejo anterior de viver o “Amor Livre”, eu pus um fim na relação e saí dali decidido a não viver mais monogamia.
Foi nesse tempo que conheci o Gustavo*, um rapaz que morava em outra cidade do RJ e veio me procurar na internet por causa do meu zine TransViado#1. Ele se definia como Anarco-Punk, tinha um relacionamento aberto com uma menina com quem morava, e tínhamos várias coisas em comum como gostos musicais e posicionamentos ideológicos. Com pouco tempo de conversa (acho que um mês), combinamos de ele vir passar um fim de semana comigo. Daí ele veio, curtimos uma festa juntos em minha cidade com amigues e parentes meus e foi ótimo. Beijei várias meninas naquela festa com um ficante meu ali do meu lado, e em minha infantilidade por estar vivendo algo novo, aquilo parecia fascinante, eu estava me sentindo “o livre, o desapegado” haha. O problema é que virtualmente nossas ideias batiam muito; virtualmente ele falava sobre Teoria Queer, Feminismo e Consentimento; virtualmente, quando eu falei do quão pouco sexual eu sou e do que eu gosto ou não na cama, ele disse respeitar e entender tudo isso e que ele também preferia Gouinage. Mas pessoalmente, quando voltamos da festa e éramos só ele e eu na minha casa, ele mostrou ser outra pessoa. Sua fala e opiniões eram machistas; a forma como me falou que sua namorada não queria saber detalhes de seus outros relacionamentos nem mesmo quem eram me deixou com a impressão de que ela só estava nessa por ele, que ele que impunha a ela uma relação aberta. Me contou que tinha um jeito diferente de se relacionar com homens e mulheres, sendo mais frio e sexual com eles e mais delicado e carinhoso com elas, e percebi que o único motivo de ele me tratar com aquela atenção toda era por que o fato de eu ser N-b o fazia me enxergar como feminina e “frágil” (muito machista né?). Mas não foi apenas em suas palavras que ele me decepcionou, quando fomos pra cama ele ficou me questionando e insistindo sobre coisas que eu não queria fazer, de uma forma que mesmo estando na minha própria casa, eu não me senti seguro e confortável e acabei cedendo. Fizemos sexo com penetração e a experiência foi horrível, não tive nem prazer nem dor, apenas um total desconforto e vontade que ele fosse embora logo.  Na segunda-feira ele se foi, eu fiquei um bom tempo sem falar com ele e só quando houve a história do Mário, que eu vou contar à frente, que eu aproveitei e mandei uma mensagem dizendo que não o queria em minha vida nem mesmo como amigo.
Outro relacionamento que tive nessa época foi com a Patrícia. Ele teve até início antes do do Gustavo, mas como o dele acabou antes preferi citá-lo logo. A Patrícia eu conheci em um grupo de Poliamor no Whatsapp e fui me apaixonando. Assim como estar em uma relação não-monogâmica, me relacionar com uma mulher também era uma novidade pra mim, pois nos últimos dez anos eu só havia me relacionado com homens (tirando a fase da igreja que foi celibato total haha). Patrícia morava do outro lado do RJ, e embora já estivéssemos na época combinando uma viagem pra nos conhecer, nosso namoro ainda era apenas virtual, o que não diminuía em nada sua intensidade. Eu ainda lembro de cada foto e palavra trocada, cada música compartilhada e do quanto a cada dia minha paixão por ela aumentava.
E foi aí que chegou o Mário na minha vida: um garoto que trabalhava na minha cidade e morava numa cidade vizinha e que eu conhecia de vista, pois ele já tinha namorado uma amiga minha, e sempre achei lindo e agora deu em cima de mim de uma forma toda romântica mandando essa mesma amiga me entregar um guardanapo com seu telefone. Ele era monogâmico até então, e eu de cara deixei bem claro o que eu vivia: Falei sobre o Poliamor/Amor Livre e apesar de ele achar estranho, decidiu arriscar pois segundo ele “já gostava de mim há um bom tempo”. Como eu também já estava na dele, pois me apaixono fácil e como eu já disse sempre o achei lindo, tentamos. Tudo foi muito bom até eu perceber que estava muito apaixonado pelo Mário, e dando menos atenção à Patrícia. Com uma semana de namoro com ele tivemos problemas relacionados ao Poliamor (e aos ciúmes e inseguranças dele). Não sei se foi por ele ser homem ou se por morar mais perto, só sei que eu não queria perde-lo por nada, e isso fez com que eu agisse de forma muito errada. Primeiro propus que eu ficasse só com ele e a Patrícia e mais ninguém. Usei a justificativa de que ele era um menino, ela era uma menina, seriam dois casos completamente diferentes. No começo ele concordou, dizendo que realmente por ela ser mulher ele não sentia ciúmes dela. Mas fiquei sabendo que com as amigas dele ele falava outras coisas, que se sentia totalmente inseguro na nossa relação e que achava que eu não o amava porque senão, na visão dele, ele me seria suficiente. Tivemos mais problemas e aí por causa dessa dependência emocional que eu criei em cima dele eu fiz uma enorme burrada: Fui um insensível, um idiota, e terminei com a Patrícia para ficar numa relação monogâmica com ele. Ela tem depressão, assim como eu, e estava em um período ruim, de crise. Mas eu fui egoísta, não pensei nisso, não pensei nela, pensei apenas no que eu pensava ser melhor para ele e eu. Me afastei da Patrícia sem nem deixar ela cobrar satisfações. Meu namoro com ele durou mais alguns dias apenas, quando então ele terminou comigo repentinamente, alegando problemas familiares...
Eu perdi meu chão. Enchi a cara, tentei me matar. Fiquei três dias no escuro total, sem banho e dormindo com uma faca debaixo do travesseiro. Fui me reerguendo aos poucos, mas concluí que eu tinha sido um idiota, tinha me anulado, tinha aberto mão da minha liberdade e aquilo que eu acreditava por causa de uma outra pessoa. Além disso eu tinha sido frio e insensível com a menina. Falei para mim mesmo que eu não estava preparado para viver aquele tipo de relação e que voltaria a tentar ser monogâmico.
Tentei um namoro com um garoto que durou apenas um mês, e também um retorno com meu ex-marido. Nenhum dos dois deu certo.
Tudo isso aconteceu entre 2013/2014. Em 2015, depois que eu já tinha reatado minha amizade com Patrícia há muito tempo, e sempre ouvindo seus conselhos, decidi tentar a não-monogamia mais uma vez, e ela mesma me deu maior apoio, dizendo que eu tinha amadurecido bastante nesse tempo. Ela e um amigo dela, o Cláudio, vieram passar a páscoa comigo e eu aproveitei a oportunidade para pedi-la novamente em namoro. E ela aceitou <3. Eu estava também ficando com o Cláudio e esse foi um fim de semana maravilhoso, onde inclusive levei os dois para conhecerem minha família. Depois eles voltaram para sua cidade, o Claudio virou monogâmico, mas meu namoro com a Patrícia ainda durou até outubro. Mas dessa vez quem terminou foi ela por causa da distância, entre outras coisas.
Curiosamente, eu tinha voltado com o Mário também pouco tempo antes, mas dessa vez quem terminou com ele fui eu uma semana depois da páscoa porque ele estava inventando namorado que não tinha para me botar ciúmes e postando indiretas sobre Patrícia e Cláudio estarem lá em casa, ao invés de vir falar comigo. Aí eu vi que aquilo não ia dar certo nunca. Hoje ele está casado e feliz e somos bons amigos. Assim como Patrícia e eu somos ÓTIMOS amigos.
Tive outras paixões e namoros à distância que duraram tão pouco que nem vem ao caso contar agora. Mas em setembro conheci o César, do Espírito Santo, pelo Badoo e começamos a namorar à distância e hoje moramos juntos. Vim pro ES e ele é a única relação que tenho atualmente. Ele não conhecia o Poliamor e também fui eu que apresentei, mas ele gostou muito e se adaptou muito bem. Mas ainda temos muitos problemas como qualquer casal, ainda mais com minha depressão que me torna não muito fácil de lidar. Nesse meio tempo eu tive problemas com dois meninos também por mentirem/esconderem coisas de mim mesmo com toda a liberdade que eu dei, o que me mostrou que pessoas acostumadas a enganar e trair, mesmo não “precisando”, mesmo tendo liberdade, vão quebrar acordos. Infelizmente o próprio César foi uma delas, mas nossa relação continua. O outro, nós somos amigos hoje, mas relacionamento eu não consegui levar adiante não...
Durante esses três anos também, eu tive uma paixão com uma pessoa não binária que durou esse tempo todo mas so virou namoro mesmo ano passado, e acabou recentemente porque ela na aguentou a minha distância e frieza num período de crise.
Então em geral ainda sem querer machuco alguém e sou machucado, afinal a gente sempre cria uma expectativa ou alguém cria uma em cima da gente, mas após toda essa experiência (sem citar as monogâmicas que vivi antes) os muitos conselhos que recebi, textos e livros que li, reflexões que fiz, vejo que estou muito mais maduro realmente e ainda posso cometer erros, mas não os mesmo do passado.
Hoje eu sei o que quero e não abro mão disso por ninguém.Que quem me ama e quer estar comigo vai ter que respeitar minha liberdade e individualidade. Quero gente pra voar comigo, não pra me prender em gaiolas. E deixo isso claro logo que conheço a pessoa.
Sei que tenho que tomar cuidado coma paixão, com a idealização que se faz das pessoas e expectativas que se cria com relação a ela.
Sei também que tenho que tenho que tomar cuidado também com a forma com a qual lido com os sentimentos das pessoas para não brincar com eles, não iludi-las ou dar esperanças de coisa que não posso ou não quero cumprir.
Estou em busca de viver relações múltiplas sim, mas relações profundas, saudáveis, baseadas na sinceridade e no consentimento. E se não for pra ser assim, eu nem começo.