terça-feira, 13 de setembro de 2016

Assumir-se Gay/Lésbica/Bissexual Para a Família


Uma vez em um programa de TV ouvi a Léo Áquila falar uma frase que me marcou: "Armários são pra roupas, não pra pessoas".
Faz Quatro anos que eu me assumi como gay pra minha família.
Ouvi de algumas pessoas que eu poderia muito bem viver tudo aquilo às escondidas, sem necessidade de me expor e blá blá blá... De boa, pra quem se satisfaz com isso, ótimo, parabéns e sejam felizes. Mas pra mim não dava! Eu não tava praticando nada de errado pra ter que esconder. E eu não ia viver um relacionamento hétero só de fachada, não ia fazer da minha vida uma mentira! Entendo que algumas pessoas preferem viver sua sexualidade "dentro de quatro paredes" o resto da vida, mas eu nunca fui e não sou uma delas. Eu tenho a necessidade pessoal de assumir quem eu sou e falar livremente sobre o que eu vivo.
Hoje eu estou morando em uma cidade grande e em outro estado, mas na época em que me assumi eu morava no interior do RJ, e isso só tornou tudo ainda mais difícil.  E sim, eu enfrentei cada barreira, passei por situações que às vezes prefiro nem lembrar: Ouvi palavras ofensivas do meu pai, vi meu irmão e vários outros parentes se afastarem de mim, vi minha mãe chorar pelos cantos... não foi fácil pra eles e eu entendo isso, mas não foi nada fácil pra mim também toda essa rejeição por algo que eu era, mas não tinha escolhido ser (como se escolhas também não devessem ser respeitadas né? Mas vocês entenderam o que eu quis dizer)
Mas sabe o que eu digo quando um@ amig@ me conta que assumiu sua homo/bi/pansexualidade? Que no começo não é mesmo nada fácil (são raras as excessões, em que pessoas LGBTQ vão encontrar total apoio e aceitação em suas famílias), mas que elas deem tempo aos seus familiares e continuem vivendo sua vida normalmente até que eles percebam que el@ continua sendo a mesma pessoa de sempre e seu amor se sobreponha aos seus preconceitos. Sei que infelizmente também não é sempre que isso vai acontecer e algumas famílias vão agredir e/ou expulsar essxs jovens de casa por exemplo, e eu sinto muito mesmo em saber que isso acontece. Mas falando da minha experiência pessoal, graças aos Deuses foi diferente e eu vi toda aquela cena se transformar nos últimos anos, e nesses últimos meses antes de vir embora eu já apresentei namorados pra família, já me reaproximei totalmente do meu irmão e fui carregado muitas vezes na garupa da bicicleta como uma criança pelo meu pai, o mesmo pai que um dia lá atras disse na minha cara ter vergonha de mim... Só eu sei a intensidade de tudo isso, e o quanto me sinto vitorioso por tudo isso...
Pois eu podia ter mantido tudo em segredo e viver de mentiras para agradar, mas eu preferi mostrar quem eu era de verdade e deixar que me amassem ou odiassem como quisessem, mas por aquilo que realmente sou. E valeu a pena sair do armário, não me arrependo nem um pouco.
Sei que não sou necessariamente uma pessoa feliz, principalmente por causa da minha depressão, mas minha infelicidade seria muito maior se eu não tivesse saído de lá, se eu não tivesse tido a coragem de botar a cara a tapa... A Minha Vida Não é Tão Linda Aqui Fora Do Armário, Mas Lá Dentro Estaria Pior
Aos filhos que foram completamente rejeitados, expulsos, agredidos... Eu sinto muito mesmo por isso e espero que apareça alguém na sua vida que te aceite, apoie e ame. Apenas não desista de si mesmo!
Aos filhos que estão sendo ignorados ou ofendidos... sei que não é uma escolha de vocês e que vocês não merecem isso, mas tentem entender o lado de seus pais, o tipo de educação e bases religiosa que eles tiveram e dê tempo ao tempo pra eles assimilarem sua mudança. Ajude-os também a estudar sobre o assunto se eles quiserem... Apenas não desista de sua família!
Aos pais que não estão sabendo lidar com a sexualidade de seus filhos... Eu sei que é difícil mesmo entender algo que você cresceu ouvindo quera errado, pecado, vergonha. Mas por favor, tente pesquisar sobre o assunto, tente entender quem é seu filho/sua filha, peça a ajuda del@ pra isso... Mas não @ ofenda, não @ agrida, não diga que tem vergonha del@ ou que el@ não é mais su filh@, não a ponha pra fora de casa! El@ não escolheu ser diferente e não pode mudar isso, mas você pode mudar seu preconceito e se tornar o que el@ mais precisa: um porto seguro, uma família que a ame e apoie e a ajude a enfrentar o mundo lá fora que já vai ser bem difícil... Apenas não desista de sus filh@s, não desista da sua família!
Pais ou filhos, quem estiver passando por essa fase e quiser alguém pra conversar, pode me mandar um e-mail pra rayodhevakot@gmail.com ou me chamar no inbox do facebook. Em ambos os casos responderei assim que eu puder...
Que o AMOR esteja sobre todxs vocês.... e que ELE fale mais alto que qualquer preconceito!

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