terça-feira, 13 de setembro de 2016

"Não Gosto de Emos!" - Machismo e Homofobia Disfarçados



Lembro-me emo051quando eu era adolescente e era emo (era?), de que nenhuma outra "tribo" do rock gostava de emos: punks, góticos, metaleiros, etç...
Esse simples "não gostar" vinha quase sempre, "por um acaso", de homens cisgêneros e héterossexuais(engraçado, não?)... E podia se manifestar desde um simples afastamento, de não querer ser amigo e/ou andar junto, até mesmo à agressão física.
Tal repúdio vinha com justificativas relacionadas às vestes, maquiagens e comportamentos que quebravam conceitos de gênero e sexualidade.
Vindo de "Punks", principalmente, esse repúdio me parece totalmente incoerente, visto que o chamado "Movimento Punk" trouxe em sua história desde o começo, uma luta contra a homofobia e quebras de regras de gênero também (homens punks usando calça legging e skilts por exemplo!)
Aliás só posso fazer esse comentário hoje, só cheguei ao Punk e ao Anarquismo, muito mais tarde, através da banda Dance Of Days e dos zines de seu vocalista, o Nenê Altro, pois a visão que eu tinha dos Punks era de uma tribo de pessoas brigonas e intolerantes... eu tinha medo de punks!
Se eu tivesse tido oportunidade de conhecer de verdade o AnarcoPunk naquela época, em minha rebelde adolescência, penso na revolução que eu poderia ter feito! haha
Mas enfim. deixando minha história e opinião um pouco de lado e voltando ao assunto principal do texto, já pararam pra pensar no machismo e homofobia presentes nesse repúdio generalizado à "Tribo Emo"?
Emos (e me refiro aqui à essa onda que invadiu o Brasil cá nos anos 2000, e não aquela versão old school lá dos anos 80) sempre defenderam a luta contra a lesbohomofobia, defendiam a manifestação de carinho entre amigos idependente de seus gêneros e de suas sexualidades, e adotavam um estilo andrógino, que incluia meninos de rosa e maquiagem por exemplo. Ah, e suas letras eram poesias bem íntimas que falavam de amigos, família, e principalmente: amor!
Era isso que incomodava! diziam que eles eram exagerados em seus estilos (porra, regrinhas de como se vestir e se comportar? dentro do rock?) Diziam que a maioria era "poser", que aquilo não passava de modinha...
Ah, e criticavam o fato de que eles não tinham uma ideologia, uma visão política... Aí estão presentes mais alguns erros: eu sempre gostei muito de ler, ouvia outras coisas além do emocore, como a Pitty por exemplo, e nunca fui uma pessoa alienada só por ser emo; Segundo, eles tinham sim uma "ideologia", já que traziam a quebra de gêneros e a livre espressão sexual e de sentimentos como suas bandeiras!
E terceiro, se ao invés de críticas, eles tivessem recebido conselhos e aceitação, poderiam formar bandas que falassem tanto do amor quanto da politica, da liberdade... (Como sempre fez por exemplo o Dance Of Days, e fazem algumas bandas que estão surgindo aí e que assumidamente tocam tanto hardcore quanto emocore).
O Emocore, enquanto uma vertente do hardcore, podia ter amadurecido e crescido muito aqui, se não fosse o preconceito e resistência dos integrantes de outras vertentes que vieram antes...
Voltando, somente cegos e ignorantes não enxergam o quão machistas e preconceituosas eram às críticas aos emos! Quem nunca ouviu por exemplo que todo emo era gay??? Não, isso não era verdade, mas a simples hipótese já incomodava o bando de homofóbicos que se intitulavam pessoas libertárias! Eles queriam liberdade para quem afinal? Queemo.png liberdade é essa?
Eu cresci, passei a não me denominar mais como emo, pprque meu gosto musical foi ficando cada dia mais eclético, e porque eu já não queria mais rótulos sobre mim... Mas nunca parei de ouvir as bandas que eu ouvia naquela época...
E fico muito, mas muito feliz mesmo, de ver que o Emo não morreu, mas que está voltando com tudo e de forma muito mais madura!
E viva a liberdade musical, sexual, de gênero e sentimentos!!!
E viva a LIBERDADE que ultrapassa barreiras!!!
(texto escrito em janeiro de 2015)

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