terça-feira, 13 de setembro de 2016

Paganismo Queer ou Paganismo Gay?


(Texto escrito em 2014, e mudei apenas a informação de tempo na primeira linha, então fazem quatro ou cinco anos que eu conheci o Deus Azul hoje e não na época do texto)
Bom, há uns quatro, cinco anos, num tempo em que eu ainda definia a mim e a minha prática magico-religiosa como wiccanianas, deparei-me através de grupos do Facebook e artigos da internet com um novo "conceito", uma nova forma de enxergar a divindade e praticar o paganismo: o Paganismo Queer!
De cara me apaixonei e comecei a estudá-lo e praticá-lo...
Achei maravilhoso o DianYGlass, chamado de Deus Azul e comecei a adorá-lo. Pra mim ele era(e continua sendo) a perfeita expressão do Paganismo Queer: Ele não é homem, nem mulher; não é hétero, nem gay; É fluído, diverso, diferente... carrega em si todas as polaridades de genero e sexualidade, mas vive  em um equilibrio entre elas...(é dessa forma que eu o enxergo), além de pesquisar a presença de divindades não-héteros em diversas mitologias, desde a Grega até a Yorubá(que é o principal panteão de deuses com os quias trabalho e aos quais presto adoração)
Pois bem, mas com o tempo, olhando nos artigos e nas discussões em grupos, percebi que o Paganismo Queer, ao menos no Brasil, não passa de um "Paganismo Gay"(o que coincidentemente, ou não, é o mesmo que acontece com o chamado movimento LGBT, hoje apelidado GGGG por militantes Trans, visto que só tem lutado mesmo pelas pautas gays e invisibilizado a existência Trans dentro do "movimento" tanto quanto o resto da sociedade nos invisibiliza também)
Mas enfim, voltando ao "Queer Pagan Brazil", o que vejo é apenas o estudo da Homotheosis e a (re)sacralização da Homossexualidade, que tem sua manifestação máxima no culto a Antinuos, homem cis gay, que foi namorado de um imperador e hoje é adorado como um deus, literalmente.
Algum problema nisso? Não, nenhum, muito pelo contrário, acho maravilhoso que homens cis gays tenham encontrado(construído) para si uma espiritualidade pagã, que vai além do heterossexismo de um casal divino composto por um homem e uma mulher. Isso é muito válido, muito legal, e muito poderoso!
Mas a minha pergunta é: há espaço nesse chamado Paganismo Queer para todas as pessoas que se encaixam nesse termo(travestis, transexuais, pessoas N-b...)?
Porque o que vejo é uma nova forma de praticar o paganismo, desvinculada do heterossexismo, mas ainda presa ao cissexismo... tudo bem ser gay ou bissexual, mas homens são aqueles que nasceram com um falo e mulheres são aquelas que nasceram com um útero, e pronto, acabou aí...
Sim, eu ja vi pagãos gays dizerem que mulheres trans não são mulheres, e que não podem representar a Deusa por não terem os orgãos reprodutores que são definidos como femininos, por exemplo...
Eu quero ver um paganismo verdadeiramente Queer, que se baseie nos Estudos Queer; que defenda que todes nós temos o masculino e o feminino em nós independente de nossos orgãos genitais(Animus e Anima); Que tenha espaço inclusive pra pessoas que não se definem nesse binário; que reconheça a homossexualidade sagrada sim, mas que reconheça também o Travestilidade sagrada, presente em algumas culturas; a existência dos "Two Spirit"; a adoração a divindades andróginas, como é o caso dos Orixás Metá-Metá...
Enfim, quão Queer é o seu paganismo? Ele é pra todos aqueles que fogem das normas cis-heterossexistas? Ou é apenas para Homens Cis Gays? Não estou dizendo que você precisa adorar e trabalhar com algo que foge da sua realidade, mas apenas que essas pautas devem ser debatidas e ter uma maior aceitação entre pessoas que se dizem praticantes de uma espiritualidade Queer...
Que O Deus Azul, As Deusas Solares, Os Deuses Lunares, Oxumaré e Logun-Edé abençõem a todes!
Axé! Blessed Be!

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