quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Politeísmo e Poliamor 1: Sobre Amar Muitas Pessoas E Deus@s

105541701v10_225x225_Front_padToSquare-trueJá percebeu que há uma quantidade legal de bruxas e pagãos que vivem o Poliamor? (e nesse texto não estou usando essa palavra pra definir o modelo de relacionamento que leva esse nome, mas como sinônimo de amar mais de uma pessoa, então to abarcando, ou ao menos é essa minha intenção, outras de formas de relações não-monogâmicas como o RLi)
Longe de ser regra e até mesmo maioria dentro do meio, mas não podemos dizer que não ha uma presença forte de pagãos no Poliamor, desde relações livres e poliamoristas sendo retratadas em livros ficcionais de temática pagã da Starhawk e da Marion Zimmer Bradley por exemplo, até o fato de bruxos famosos serem assumidamente poliamoristas como o  Oberon Zell e o casal de cantores do Gaia Consort. Há até mesmo um símbolo específico para representar pagãos praticantes do poliamor(ou seriam poliamoristas praticantes do paganismo? Haha), e é sobre isso que quero falar, sobre a "conciliação" entre o Poliamor e a Religião que aquele que o vive pratica e a influência que uma coisa pode causar sobre a outra.
Não quero me referir aqui à liberdade que religiões chamadas pagãs e neo-pagãs dão em vários sentidos inclusive no afetivo e sexual. Nesse sentido sem sombra de dúvida que uma pessoa Wiccaniana por exemplo tem muito mais liberdade de vivenciar sua sexualidade seja ela qual for do que uma evangélica, pois diferente dessa, sua religião não tem conceitos como pecado e condenação e enxerga o sexo como algo profundamente sagrado.
Claro que o Monoteísmo Patriarcal com todas as suas regras tem sido um grande instrumento de auxilio a disseminação de conceitos preconceituosos e limitadores acerca da afetividade e sexualidade, condenando tudo aquilo que foge do Casamento Monogâmico Heterossexual.
Claro que não estou aqui dizendo que o Poliamor foi feito para os pagãos e que todos os poliamoristas deviam ser politeístas nem o contrário, Só de exemplo cito meus três relacionamentos atuais*: um homem católico, uma mulher ateia e uma pessoa trans n-b bruxa.
Há poliamoristas das mais diversas crenças, desde o budismo até o candomblé, além daqueles que são ateus e agnósticos. Mas é dos pagãos/politeístas que quero falar.
Mas a ligação entre religião e poliamor da qual quero falar aqui diz respeito ao seguinte: Já percebeu o quanto sua forma de se relacionar com seu(s) deus(es) afeta ou é parecida com sua forma de se relacionar com seu(s) amor(es)?
Porque aí você sai de uma religião cujo deus é ciumento e só aceita culto a ele e mais ninguém, e encontra religiões nas quais você começa a conhecer diferentes deuses, cada um com suas características que os tornam únicos, e aprende que pode amar, cultuar e convidar para sua vida diferentes deuses, e o amor por um novo deus que aparece não diminui o amor que você tinha pelos outros.
Será mesmo que a religião na qual você cresce e a forma que aprende a enxergar o Divino e se relacionar com ele não vai se estender a forma como vai se relacionar com as outras pessoas, inclusive nas relações amorosas?
Falo por experiência própria, nos tempos em que eu era monoteísta não me passaria nunca pela cabeça a idéia de viver mais de uma relação amorosa ao mesmo tempo. E hoje que sou politeísta e Poliamorista enxergo muita influência em ambas coisas que fazem parte da minha vida. Não cheguei ao Poliamor já depois de pagão só pela liberdade sexual e afetiva que encontrei nesse caminho, mas também porque tive que desaprender a amar como eu amava antes, e aprender a amar de um jeito diferente... O amar muitos deuses fez meu coração se expandir, a ponto de caber muitos amores humanos também.
Hoje estou numa fase em que Hekate se tornou muito mais presente na minha vida, e estou completamente apaixonado por ela, mas isso não diminuiu meu amor por Ísis ou Yansã por exemplo, pelo contrário, percebo como que cada uma delas é tão diferente da outra, tão única, que seria impossível pra mim amar só uma.
Nas relações amorosas a mesma coisa, meu namorado é ainda muito recente e a cada dia na medida em que vamos nos conhecendo melhor, mais me apaixono por ele, isso também não diminui meu amor pelas duas outras pessoas com quem eu já me relacionava, muito pelo contrário também: Percebo que tudo que ele tem que me encanta, eu não encontro nas outras duas, e tudo que elas tem que me encanta ele também não tem. E seria impossível pra mim escolher amar ume só.
Bem, é isso... Comecei a refletir sobre esse assunto aqui em casa e decidi escrever sobre ele. Espero que eu tenha sido claro o bastante.
E a vocês que estão lendo, sejam amantes livres ou não, politeístas ou não, eu so desejo "Que os Deuses do Amor estejam a lhe proteger" 🎶
Beijos e Bençãos!
Raio de Yansã
*obs: as relações citadas aqui como atuais não são mais tão atuais assim, pois esse texto foi escrito em meados do ano passado e algumas coisas mudaram de lá pra cá. Atualmente estou sozinhe, mas continuo sendo poliamorista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário