quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Sobre Términos em Relações Não-Monogâmicas 2

Não é a primeira vez que falo disso aqui, afinal se falo muito de amor, normal que eu fale também sobre o fim dele (ou melhor: sobre o fim de relações sociais que o tenham como base/motivação). Cá estou eu escrevendo esse texto após o fim de dois namoros: um término ontem com uma menina que eu estava namorando a menos de um mês, e um término hoje com o menino com quem eu estava junto a mais de um ano e morando junto. Estou triste? Sim, sem sombra de dúvidas! Todo fim dói, toda morte exige um luto. Porém eu não fico mais destruído como eu ficava quando eu era monogâmico. Algumas pessoas me julgam seco e insensível por isso, mas de boa, elas não me enxergam de verdade... Eu por dentro estou profundamente triste, e meus olhos estão molhados de lágrimas enquanto escrevo isso. Mas o que eu vou fazer? Agir como criança que chora e faz pirraça porque quer ter determinado brinquedo? Não, de forma alguma eu me sujeitaria novamente a esse papel como já fiz no meu passado. Sabe, o Poliamor, tanto no estudo de sua filosofia e na leitura de relatos de outras pessoas, quanto na vivência mesmo, me fez amadurecer muito com relação às minhas relações amorosas. Um exemplo disso é a amizade que tenho hoje com ex-amores meus. E outro é que hoje eu crio (ou pelo menos tento) muito menos expectativa do que antes, e sei que essas relações podem acabar a qualquer momento, então fico feliz pelo que for vivido, pelo tempo que tiver durado. Se durou um ano, ótimo! Se durou três meses, ótimo! Se durou a intensidade de apenas uma noite de prazer, ótimo também! Estava falando com essa ex-namorada minha inclusive, que eu odeio quando as pessoas falam: “ Puxa, não deu certo? ” Claro que deu certo! Deu certo pelo tempo que deu pra durar, pelo tempo em que as pessoas quiseram dividir seus dias, pelo tempo em que o sentimento e o desejo falaram mais alto que as dores e dificuldades diárias. Deu certo pelo tempo em que elas compartilharam sonhos e um desses sonhos era estar uma com a outra. Mas como tudo na vida, acabou. Eu não vou invalidar todo o tempo que vivemos juntos dizendo que não deu certo. Deu certo sim e por UM ANO E VINTE E DOIS DIAS! Mas acabou! Não vou ficar caçando defeitos no meu ex, não vou sair falando mal dele... Pelo contrário: Sou eternamente grato e tenho uma verdadeira dívida com ele por tudo que ele aguentou. Dívida essa que inclui uma parte pagável, e outra que espero que meu amor tenha sido o bastante para compensar. Não vou caçar culpados! Não vou dizer que a culpa é dele e ficar me fazendo de vítima. Tampouco vou ficar em autocomiseração dizendo que “nenhum namoro meu dá certo”, que “eu que sou errado”, que “não mereço ser amado” ou qualquer coisa assim. (Sabe, uma vozinha já veio sussurrar esse tipo de coisa hoje, mas sei que é nada mais do que a minha sombra me auto-sabotando, e eu não vou dar ouvidos a ela!) Eu mereço sim amar e ser amado, e todos os amores que passaram pela minha vida, pelo meu coração, pela minha cama, idem! Se não foi entre nós ou foi entre nós por pouco tempo, ótimo! Foi bom/lindo/gostoso enquanto durou! E tem amores de sobra lá fora nos esperando para serem vividos! Bom, é isso! Não sou o seco e insensível que dizem não, pra ser sincero esse fim está doendo bastante aqui dentro! Mas ao mesmo tempo também já consigo ser racional o bastante para equilibrar meus sentimentos e dizer: Vida que segue, bola pra frente!

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